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O Arquipélago de Bazaruto: As Ilhas do Oceano Índico em Moçambique

O Arquipélago de Bazaruto

O Arquipélago de Bazaruto: As Ilhas do Oceano Índico em Moçambique

 

Situado ao largo da costa da província de Inhambane, no sul de Moçambique, o Arquipélago de Bazaruto é formado por cinco ilhas principais no Oceano Índico. De facto, a região é reconhecida como uma das zonas costeiras mais ricas em biodiversidade marinha de toda a África Oriental.

O arquipélago estende-se por cerca de 100 quilómetros de litoral e integra, desde 1971, uma área de conservação protegida hoje conhecida como Parque Nacional de Bazaruto. A sua criação foi determinante para preservar os recifes de coral, as pradarias de algas marinhas e as espécies que neles habitam.

Localização e Características Geográficas

O arquipélago localiza-se entre 20 e 80 quilómetros da costa continental de Moçambique, mais concretamente a norte da cidade de Vilanculos e a sul de Inhassoro. As ilhas têm origem sedimentar e são caracterizadas por extensas dunas de areia, lagoas interiores de água doce e faixas de manguezais que estabilizam os ecossistemas costeiros.

No que diz respeito ao clima, este é tropical húmido, com estação chuvosa entre Novembro e Março e estação seca de Abril a Outubro. A temperatura do mar oscila entre os 24°C e os 28°C ao longo do ano. Além disso, o arquipélago faz parte da Grande Barreira de Coral do Índico Ocidental, um dos sistemas de recifes mais extensos do hemisfério sul, que se estende desde a Tanzânia até ao sul de Moçambique.

As Cinco Ilhas do Arquipélago

O arquipélago é composto por cinco ilhas com características distintas entre si. Com efeito, cada uma possui o seu próprio ecossistema e morfologia.

1. Bazaruto

A maior ilha do arquipélago tem cerca de 37 km de comprimento. Para além disso, apresenta extensas dunas de areia no interior, algumas com mais de 100 metros de altura, bem como dois lagos de água doce que servem de habitat a crocodilos e diversas aves aquáticas. A costa ocidental é mais abrigada, ao passo que a oriental é varrida pelas correntes do Índico aberto.

2. Benguerra

A segunda maior ilha tem aproximadamente 11 km de comprimento. É conhecida, sobretudo, pela diversidade dos seus habitats: dunas costeiras, lagoas interiores, manguezais e prados de ervas marinhas. É precisamente na sua costa que se registam algumas das melhores condições para a observação de dugongos e tartarugas marinhas.

3. Magaruque

Mais pequena e compacta, esta ilha tem cerca de 4 km de extensão. Os seus recifes de coral são acessíveis a pouca profundidade, o que a torna particularmente relevante do ponto de vista da investigação marinha. Por outro lado, não tem população permanente e o acesso é feito exclusivamente por via marítima a partir de Vilanculos.

4. Santa Carolina

Também conhecida como Paradise Island, é a mais a sul do arquipélago, com cerca de 3 km de comprimento. De natureza rochosa, distingue-se das restantes pela topografia mais acidentada. No interior, encontram-se ruínas de instalações do período colonial português, que testemunham a história da ocupação humana da região.

5. Banque (Bangué)

Tecnicamente um banco de areia emerso, é a formação mais instável do arquipélago. A sua morfologia muda com as marés e as correntes sazonais. Apesar de não ter vegetação significativa nem presença humana permanente, é ecologicamente relevante como área de repouso e nidificação de aves marinhas.

Biodiversidade e Ecossistemas Marinhos

O Parque Nacional de Bazaruto abriga uma das últimas populações viáveis de dugongos (Dugong dugon) no Índico Ocidental. Estima-se, por isso, que esta seja uma das populações mais estáveis da espécie em toda a costa africana.

Os recifes de coral sustentam mais de 2 000 espécies de peixes identificadas, além de invertebrados, esponjas e algas que formam um dos ecossistemas bentónicos mais complexos da região. Do mesmo modo, as pradarias de algas marinhas são o principal habitat de alimentação dos dugongos e servem de berçário para várias espécies de peixes de importância comercial.

Entre as espécies mais documentadas no arquipélago encontram-se o dugongo (Dugong dugon), a tartaruga-verde (Chelonia mydas), a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), o tubarão-baleia (Rhincodon typus), a manta-raia (Mobula birostris), a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), o golfinho-comum (Delphinus delphis) e o flamingo-cor-de-rosa (Phoenicopterus roseus).

As baleias-jubarte frequentam o arquipélago entre Julho e Outubro, durante a sua migração anual pelas águas quentes do Índico. Por conseguinte, a sua presença é regularmente registada por investigadores e equipas de monitorização do parque.

Parque Nacional de Bazaruto

Criado em 1971, o Parque Nacional de Bazaruto é o parque marinho mais antigo de Moçambique. Actualmente, cobre uma área de aproximadamente 1 430 km², incluindo as águas entre e em redor das ilhas. A sua gestão é partilhada entre o Governo moçambicano e organizações internacionais de conservação, nomeadamente o African Parks Network, que apoia a sua gestão desde 2018.

O parque regula as actividades de pesca artesanal e comercial e, simultaneamente, estabelece limites para o mergulho recreativo e proíbe a extracção de corais, conchas e outros organismos. Importa ainda referir que está incluído na lista de sítios prioritários do Programa de Áreas Protegidas Marinhas do Oceano Índico Ocidental (WIOMSA).

Como Chegar ao Arquipélago

O acesso faz-se a partir de Vilanculos ou de Inhassoro, ambas com ligações regulares a Maputo. A partir do continente, as opções disponíveis são as seguintes:

  1. Lancha rápida a partir de Vilanculos, com travessias entre 20 e 45 minutos consoante a ilha de destino.
  2. Voo charter directo com aterragem em pistas de terra batida nas próprias ilhas, disponível a partir de Maputo ou Vilanculos.
  3. Dhow tradicional, embarcação à vela usada há séculos pelos pescadores locais, com partida a partir de Vilanculos.
  4. Viagem de carro pela EN1 até Vilanculos, a cerca de 700 km de Maputo, em aproximadamente 7 a 8 horas.

Melhor Época para Visitar

Em primeiro lugar, a época seca, entre Abril e Outubro, oferece melhores condições de visibilidade subaquática, travessias mais estáveis e menor probabilidade de chuvas intensas. Em contrapartida, a época húmida, de Novembro a Março, traz vegetação mais exuberante e temperaturas do mar mais elevadas, favoráveis ao avistamento de cetáceos. Por fim, os meses de Julho a Setembro coincidem com a passagem das baleias-jubarte e são, consequentemente, os mais procurados por observadores de vida marinha.

Nota Final

O Arquipélago de Bazaruto representa, sem dúvida, um dos mais importantes sistemas costeiros de Moçambique, tanto do ponto de vista ecológico como histórico e cultural. Em suma, a sua preservação depende do equilíbrio entre o acesso humano controlado, a sustentabilidade das comunidades piscatórias locais e o esforço contínuo de monitorização científica, desafios que continuam a moldar a gestão do parque e o futuro do arquipélago.

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